Bola fora do terreno na petanca: conta ou não segundo o regulamento?

Notícias · 5 de julho de 2026

Bola fora do terreno na petanca: conta ou não segundo o regulamento?

NotíciasRegra oficial FFPJP sobre as bolas fora do terreno: terreno livre, terreno delimitado, casos limites. O método para nunca mais duvidar.
Por Paquita249 visualizações
Esta bola, saiu ou não? Eis uma das questões mais colocadas nos terrenos de petanca. A resposta parece evidente mas depende na realidade de um detalhe capital: joga num terreno livre ou num terreno delimitado ? O artigo 19 do regulamento oficial FFPJP-CMSB decide muito claramente, mas a sua leitura nem sempre é intuitiva. Eis os 6 casos práticos que mais frequentemente regressam — e as respostas precisas do regulamento.
19
artigo
FFPJP que define a bola nula
2
caso
terreno livre vs terreno delimitado
100
%
a bola deve ter ultrapassado a linha
6
situações
que suscitam debate no terreno

1.O que diz verdadeiramente o artigo 19 do regulamento

O artigo 19 do regulamento oficial FFPJP-CMSB define a bole nula e precisa em que circunstâncias uma bola saída do terreno perde todo o valor. Distingue duas situações bem diferentes: o terreno livre (partidas amistosas, lugares não delimitados, jardim) e o terreno delimitado (concursos, quadros traçados, boulodromo com linhas).

A regra geral é simples: uma bola saída é nula. Mas a definição de saída muda radicalmente segundo o tipo de terreno. Em terreno livre, uma bola permanece válida enquanto para na zona autorizada (frequentemente um quadro informal de 1 m à volta do ponto de queda previsto). Em terreno delimitado, a regra é mais rigorosa: ultrapassar totalmente a linha perdida anula a bola.

2.Terreno livre: a regra da zona autorizada

Em terreno livre, o regulamento prevê uma zona de jogo autorizada mínima. O bom senso e a prática amistosa querem que uma bola permaneça válida enquanto não sair desta zona, que corresponde frequentemente a um quadro virtual à volta do cochonnet. Se joga num jardim sem qualquer linha, a sua bola é válida a menos que esteja visivelmente saída da zona de jogo acordada com a equipa adversária.

Em caso de dúvida, a regra é a favor da bola : uma bola que para a 5 metros do cochonnet, sem ter ultrapassado qualquer obstáculo marcado, permanece válida. Esta tolerância desaparece assim que há traço no solo.

3.Terreno delimitado: a regra da linha perdida

Em terreno delimitado (concurso oficial, boulodromo com linhas, quadros numerados), é a linha perdida que determina se a bola é nula. O regulamento oficial precisa que uma bola é nula assim que ultrapassa totalmente a linha perdida, ou seja, toda a bola passa para além.

Esta regra aplica-se também enquanto a bola está em movimento: se saiu uma vez (totalmente) e depois regressa ao jogo (por um ressalto num obstáculo, por exemplo), permanece anulada. É o que se chama ter tocado a linha perdida. A bola não recupera a valididade ao reentrar.

Alvo

A regra muda segundo a bola estar ainda em movimento ou já parada. Em movimento, a ultrapassagem total anula a bola, mesmo que ela regresse. Parada, a bola é nula apenas se estiver inteiramente para além da linha — se a menor parte ainda estiver em jogo, a bola permanece válida.

4.Tabela recapitulativa: terreno livre vs terreno delimitado

Eis as principais situações encontradas nos terrenos e a regra aplicável segundo o tipo de jogo:

SituaçãoTerreno livreTerreno delimitado
Bola parada a 5 m do butVálidaVálida se dentro do quadro
Bola sobre a linha perdida (a cavalo)N/AVálida
Bola inteiramente ultrapassadaNula se zona ultrapassadaNula
Bola saída e depois regressadaVálidaNula
Bola tocada por projeçãoVálidaSegundo a situação
Bola resaltada num obstáculoVálidaSegundo o obstáculo

5.Caso n1 - A bola para na linha

A sua bola para a cavalo sobre a linha perdida : uma metade no jogo, a outra fora. Conta? SIM. O regulamento é explícito: a bola só é nula se estiver inteiramente ultrapassada. A menor fração de bola dentro chega para a validar.

Na prática, esta regra alimenta muitas discussões no terreno. Melhor é acordar antes de julgar: coloca-se perpendicular à linha, observa-se se a projeção no solo da bola está completamente para além ou não. Em caso de dúvida, apela-se ao árbitro ou decide-se a favor da validade.

6.Caso n2 - A bola sai e depois regressa

Atira um ferro, a bola adversária sai em flecha, ultrapassa a linha perdida permanecendo em movimento, e depois ressalta num obstáculo (muro, batente, saco) e regressa ao terreno. Esta bola é válida? NÃO, é nula em terreno delimitado.

O regulamento fala de tocar a linha perdida no sentido em que a bola ultrapassou totalmente a linha, mesmo temporariamente. É anulada definitivamente nesse momento e deve ser retirada do jogo. Esta regra parece dura mas evita as discussões sobre a validade de um ressalto miraculoso.

7.Caso n3 - A bola ultrapassa no ar e depois toca o solo

A sua bola sai no ar (nunca toca o solo no terreno), aterra fora dos limites, e depois rola e acaba no terreno. É nula, porque tocou o solo pela primeira vez no exterior do terreno delimitado. O regulamento considera que uma bola deve ter tocado o solo na zona autorizada em primeiro lugar para ser válida.

É uma regra que surpreende muitos os principiantes. O princípio: a zona de aterragem conta mais do que a zona de paragem. Uma bola que aterra por cima do muro não é considerada como jogada regularmente.

8.Caso n4 - O terreno desprovido de linhas

Num terreno de aldeia, sem qualquer linha traçada, como julgar? O regulamento remete para a convenção entre as equipas antes da partida: delimita-se à sebe, ao muro, à fileira de bolas da mão anterior. Na falta de acordo prévio, o princípio é que apenas a zona de jogo razoável é válida — uma bola que se afasta manifestamente (5, 10 metros para além) é considerada nula por bom senso.

Para evitar estas situações, o regulamento recomenda colocar uma linha perdida assim que há dúvida: um objeto visível (saco, tábua, corda) que materializa a fronteira. É a garantia de zero contestação durante a partida.

Conselho
O conselho da Paquita

Antes de cada partida em terreno livre, acordem 30 segundos com a equipa adversária para definir a zona de jogo. Apontem com o dedo: até ao banco, até à sebe, até à fileira de pavés. Este hábito evita 99 % das discussões sobre as bolas saídas — e preserva a convivialidade da partida.

Para ir mais longe, consulte o nosso artigo sobre o círculo de lançamento e o seu traçado e o nosso dossiê sobre a regra dos pés. A nossa rubrica regras pouco conhecidas e os nossos ferramentas gratuitas completam estas explicações.

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FAQ - As vossas questões frequentes

Uma bola a cavalo sobre a linha perdida é válida?+
Sim. Enquanto uma parte da bola (mesmo ínfima) permanecer no interior do terreno, é válida. A bola só é nula se tiver ultrapassado totalmente a linha.
Uma bola saída e depois regressada conta em terreno delimitado?+
Não. Em terreno delimitado, uma bola que ultrapassa totalmente a linha perdida (mesmo permanecendo em movimento) é nula, mesmo que regresse depois ao jogo por ressalto.
Se se joga num jardim sem linhas, que regra se aplica?+
Está em terreno livre. A regra é flexível: uma bola é válida enquanto não ultrapassa uma zona razoável acordada antes da partida. Melhor é acordar sobre os limites antes de começar.
Uma bola que aterra fora do terreno e depois rola para dentro conta?+
Não em terreno delimitado: a zona de primeiro impacto conta. Uma bola que toca primeiro o solo no exterior da zona é nula, mesmo que acabe no jogo.
O árbitro pode decidir sozinho que uma bola é nula?+
Sim. Em concurso oficial, é o árbitro que decide em último recurso. A sua decisão é imediata e sem recurso no terreno. As contestações devem seguir um procedimento formal após o fim do concurso.

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